A pesquisadora Fabiola Sulpino Vieira, especialista em políticas públicas e gestão governamental, é coautora de um artigo que faz críticas à PEC 241, projeto do governo Temer, que altera a Constituição para congelar gastos públicos pelos próximos 20 anos.

 

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Após o artigo ser publicado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), depois de já ter passado pelo crivo de vários diretores, ele foi contestado publicamente pelo presidente do instituto, Ernesto Lozardo. Segundo uma fonte anônima entrevistada em uma matéria da Folha de S. Paulo, “Ele (Lozardo) resolveu desautorizar algo que já havia sido autorizado.”

Um outro funcionário teria dito “Este não foi um artigo que saiu da cabeça dos pesquisadores e foi publicado. Notas técnicas são fruto de um processo demorado que envolve diversas conversas e aprovações”.

Além disso, o presidente do Ipea ainda soltou uma nota oficial declarando total apoio do instituto à PEC 241. Coincidência ou não, ele teria assumido o cargo logo após o impeachment de Dilma, ocupando a cadeira de presidente do instituto após uma indicação do governo Temer.

 

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O QUE DIZ O ARTIGO

Publicado em uma parceria entre Fabiola Sulpino Vieira e o pesquisador Rodrigo Benevides, ele aponta que a PEC 241 pode resultar em perdas de até R$ 743 bilhões para a saúde do Brasil.

Isso porque há um “pressuposto equivocado de que os recursos públicos para a saúde já estão em níveis adequados” e “impactará negativamente o financiamento e a garantia do direito à saúde no Brasil”.

FABIOLA PEDIU AFASTAMENTO DO CARGO QUE OCUPAVA NO IPEA

Após ter sido contestada publicamente, ainda segundo a reportagem da Folha de S. Paulo, Fabíola foi chamada pessoalmente pelo presidente do Ipea para lhe dar explicações sobre o artigo. O pedido de afastamento, que teria partido dela, aconteceu no dia em que a contestação foi publicada por Ernesto Lozardo.

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