Uma advogada argentina, um odontologista brasileiro, uma administradora de empresas chilena, uma designer colombiana e uma pessoa venezuelana que preferiu não ser identificada nesta matéria, por “motivos de segurança”, como disse ela mesma.

Em poucas palavras, estas cinco pessoas falaram sobre o atual momento político dos seus respectivos países. Ao ler todos os relatos, fica fácil encontrar similaridades entre estas nações latino americanas.

MARIA VICTORIA CINCA FERNANDEZ, 30 ANOS, ADVOGADA, ARGENTINA

“Assim como todos os países Latino-Americanos, a situação econômica e social é crítica atualmente.

A Argentina está em um processo de reconstrução. O último governo, da família Kirchner, ficou no poder durante 12 anos seguidos. Na minha opinião, foi o mais corrupto que o país já teve. Nenhum presidente, clã ou família deveria permanecer no poder por tanto tempo, pois isso acaba incentivando o nepotismo.

O atual presidente, Maurício Macri, já foi prefeito de Buenos Aires e também presidente do clube de futebol Boca Juniors. Ele se parece mais um empresário do que um político e talvez, por isso mesmo, tenha ganhando a eleição contra Christina Kirchner. Os argentinos não acreditam mais nos políticos.

Eu cresci em um país livre, então eu acredito que falar sobre política não deva ser um tabu. Na verdade, seria muito construtivo se todos se envolvessem mais com este tema. Todas as manhãs eu tento ler as notícias sobre o meu país e também sobre o restante do mundo, afinal, tudo está interligado de uma maneira ou de outra”.

ERICO LEONEL, 29 ANOS, DENTISTA, BRASIL

“A situação política no Brasil é a perfeita imagem do caos. Inúmeras instituições públicas não funcionam adequadamente e, a cada dia, mais políticos estão sendo investigados por corrupção.

Michel Temer, o atual presidente, possui uma imagem impopular para ambos os lados, direita e esquerda.

Na minha opinião, ele também foi o protagonista de um golpe contra a democracia. Houve um impeachment contra uma presidenta eleita e, junto à ele, uma promessa de salvar o país de uma crise. Mas um ano após isso acontecer, é claro que o cenário político ficou ainda pior.

Eu confesso que costumava pesquisar mais sobre política, mas de alguma maneira este assunto começou a me fazer mal, talvez por sempre trazer notícias cada vez mais decepcionantes.

Se eu pudesse, determinaria novas eleições para a escolha de um novo presidente. Talvez, isso devolveria às pessoas o poder que um país democrático deveria ter”.

EVELYN OCARES, 33 ANOS, ADMINISTRADORA DE EMPRESAS, CHILE

“A situação atual no Chile é caótica. A maioria dos políticos tem aproveitado de suas posições privilegiadas para ganhar dinheiro de maneira ilícita.

A presidenta do meu país é Michelle Bachelet. Tanto o seu filho como a sua nora estão envolvidos em um enorme escândalo imobiliário e, como se não bastasse, recentemente a sua filha mais nova também está sendo investigada pelo mesmo motivo.

Esta situação afetou profundamente a imagem da presidenta, gerando uma grave crise econômica e social. E como a história sempre se repete, mas todos continuam impunes, os cidadãos do Chile não confiam mais nos políticos.

É bom conversar com alguns amigos sobre o seu programa de TV favorito? Sim. Mas tente discutir sobre política também. Mas seja educado, não seja intransigente. O momento é ideal para tentarmos nos unir.

Caso eu fosse eleita como presidenta, em primeiro lugar, eu atualizaria a Constituição Nacional. Ela é dos anos 80 e não representa mais o que a maioria dos cidadãos acredita ou precisa atualmente”.


TATIANA DURAN, 23 ANOS, DESIGNER GRÁFICA, COLÔMBIA 

“A situação política da Colômbia está complicada, há muita corrupção no governo e o povo não está nada satisfeito. Porém, ninguém faz nada para realmente mudar essa situação. Na Colômbia as pessoas vão para as ruas, marcham, compartilham no Facebook, mas ninguém envolve-se realmente.

Eu gosto de falar sobre política, mas somente quando as pessoas estão aptas para ouvirem e respeitarem a opinião alheia. Eu confesso que parei de publicar ou escrever sobre este assunto nas redes sociais.

O atual presidente, Juan Manuel Santos, assinou um acordo de paz com as FARC, mas não consultou a população. Na verdade, acredito que ele não se importa com a nossa opinião.

ANÔNIMA, IDADE NÃO REVELADA, VENEZUELA

(Foto: Luis Robayo – via Getty Images) 

“Não é segredo para o mundo que o Partido Socialista da Venezuela (PSUV) está no governo do país há mais de 18 anos. Depois da morte do ex-presidente, Hugo Chaves, as eleições foram fraudadas para que o atual presidente, Nicolas Maduro, entrasse no poder mesmo contra a vontade do povo. Foi um dos maiores golpes da nossa história, ninguém nunca quis Maduro no poder. E mesmo assim, ele diz que se recusa sair!

A situação econômica nunca esteve tão degradante. A crise do petróleo afetou todo o país, é alarmante! Não temos alimentos, remédios ou serviços públicos. E as consequências tem sido fatais! Um simples infecção urinária pode te levar a morte, pois não há recursos.

Os protestos nas ruas já duram vários meses e o atual presidente autorizou o uso das Forças Armadas contra nós, o povo. Até agora já foram mais de dezenas de pessoas mortas. Sim, todas assassinadas com tiros de armas de fogo nas ruas. A nossa Constituição diz que o seu uso é proibido em protestos pacíficos, mas nem mesmo isso está mais sendo respeitado.

Há rumores de que Nicolas Maduro também esteja ligado ao tráfico de drogas, mas até mesmo a imprensa é proibida de falar sobre o assunto. E caso fale, terá que enfrentar as consequências. O mundo precisa saber de tudo o que está realmente acontecendo”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *