A presidenta afastada pelo impeachment, Dilma Rousseff, já foi torturada durante a ditadura militar no Brasil. Para um ser humano, e ainda mais para uma mulher, este tipo de violência deixa marcas profundas. Dilma balançou, mas não caiu.

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“Ah, mas esta vagabunda mereceu ser torturada”. Não, ela não mereceu. Nenhuma pessoa merece passar por isso e nenhuma mulher deve ser chamada de vagabunda. “Ah, mas ela vira santa só por causa disso?”. Não, ela não vira.

Dilma foi acusada, desde que o seu processo de impeachment foi aceito no dia 2 de dezembro de 2015, de crime de responsabilidade contra a lei orçamentária e contra a guarda legal de recursos públicos.

As operações com os bancos, chamadas de “pedaladas fiscais”, causaram o atraso do pagamento de equalizações de juros para os bancos. E o atraso ocorreu porque a verba foi destinada para o pagamento de programas sociais na época, no ano de 2015.

Dilma foi julgada por várias horas, dias e meses. No Senado, foi interrogada por Aécio Neves, que até hoje não explicou direito aquele seu helicóptero cheio de cocaína encontrado em uma fazenda de sua família.

Mas o tal crime não foi confirmado. Leia esta matéria. Leia esta aqui também.

Janaina Paschoal, a advogada autora do pedido de impeachment, disse durante o julgamento “Eu acho que se tiver alguém fazendo algum tipo de composição neste processo é Deus (…) Foi Deus que fez com que várias pessoas, ao mesmo tempo, cada uma na sua competência, percebessem o que estava acontecendo com nosso país e conferisse a essas pessoas coragem para se levantarem e fazerem alguma coisa a respeito.”

DEUS? Mas meus caralhos, o país é laico e Deus não tem nada a ver com tudo o que está acontecendo neste momento.

Dilma também teve que ouvir um discurso temeroso de Fernando Collor de Mello, aquele que sofreu um impeachment e voltou anos depois como senador. Enquanto era questionada por estes, entre outros senadores que respondem à processos judiciais, a presidente (sim, vou continuar a chamando desta forma) manteve-se calma e em momento algum perdeu a paciência. Nem de longe aquela mulher que foi chamada de “desequilibrada” por uma revista semanal que não merece ter o nome citado.

Hoje, Michel Temer assumiu a presidência de um país que jamais votaria nele. Afinal, quem vota em vice? Quem imaginaria que o tal vice daria um golpe? Pois é, ele deu.

Dilma pode ter caído, mas não balançou. Entrou pra história.

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