Preconceito, intolerância e covardia. Um estudante indígena cotista foi agredido em frente à Casa do Estudante do campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Na madrugada de sábado, dia 19 de março, o estudante de veterinária Nerlei Fidelis, indígena Kaingang e cotista da UFRGS, foi agredido por um grupo de rapazes que, segundo testemunhas, seriam estudantes de engenharia daquela universidade e mais um estudante da PUCRS. Segundo Nerlei, que estava acompanhado do seu sobrinho, tudo começou quando o grupo de rapazes começou a provocá-lo dizendo “O que estes indígenas estão fazendo aqui?“.

Assista ao vídeo divulgado:

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Após uma discussão, o grupo iniciou as agressões gravadas por uma câmera de segurança. Mesmo após cair no chão, os golpes de chutes e socos continuaram. Desacordado por mais de 10 minutos, ele foi levado para um acampamento indígena no centro da cidade pelo seu sobrinho.

Segundo o advogado de Nerlei, Onir de Araújo, não houve esforço dos seguranças da universidade para chamar o Samu ou a polícia, mesmo após alguns estudantes que testemunharam a agressão terem pedido ajuda.

Num primeiro momento, ele ficou reticente de fazer a ocorrência por questões culturais e desconfiança das instituições. Depois de conversar comigo, ele se deu conta de que conhece muitos cotistas e que a sua denúncia poderia provocar mudanças“, disse o advogado.

Após o registro da ocorrência na Polícia Federal, Nerlei prestou depoimento a um delegado plantonista e, inclusive, apontou os estudantes que cometeram as agressões.

A UFRGS informou que está ciente do assunto e vai apurar o que aconteceu, tomando as medidas disciplinares cabíveis conforme o código disciplinar. Leia aqui a nota de apoio postada na página do Facebook da universidade.

Ainda segundo o advogado Onir de Araújo, a agressão de Nerlei é apenas mais um dos casos de violência que vem atingindo indígenas e negros que frequentam a universidade desde que o sistema de cotas foi implementado, em 2008.

No último ano, especialmente, há um clima de intolerância na sociedade em função da situação política do país. Nosso temor é de que mais violências venham a acontecer. E os povos diferentes são sempre os que mais sofrem“, disse Roberto Liedgott, coordenador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi-Sul).

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