José Lima tem 61 anos e nasceu no Sertão da Paraíba. Ainda jovem, chegou em São Paulo em 1978 e começou a trabalhar numa metalúrgica. Dentro de uma empresa, não se sentiu feliz, “mesmo ganhando bem”, e foi buscar outra ocupação para ganhar a vida e pagar as contas.

Ele passou a trabalhar como porteiro, mas foi com o seu irmão que aprendeu a fazer algo que lhe encorajaria a “largar tudo, mesmo não tendo nada” e a viver fazendo o que gostava pelas ruas.

Aliás, o endereço escolhido é o mesmo há 25 anos: a esquina da Alameda Campinas com a Alameda Franca, no bairro Jardim Paulista, em São Paulo.

José empalha cadeiras com palha e ele mesmo faz o acabamento trançando os fios feitos do mesmo material.

Os clientes, que o descobrem via boca-a-boca ou passando pela rua, levam as cadeira para ele, deixam por um prazo máximo de uma semana, e depois voltam pra buscar. “Ter um escritório na rua é bom, ninguém me enche as paciências, eu faço o meu horário e tenho liberdade”.

“Já me roubaram blusa, carregador de celular, ferramentas e até uma cadeira que estava presa por uma corrente. Mas isso faz parte da vida, mesmo se eu trabalhasse dentro de um escritório, certamente já teria passado por coisas parecidas nessa cidade”.

Depois do susto, ele passou a guardar as suas coisas dentro de uma loja que fica na esquina de onde ele trabalha.

O valor de cada cadeira reformada custa a partir de R$ 80,00, “mas tudo é negociável”, diz José.

“Graças a Deus eu tenho saúde. Neste país fica cada dia mais difícil se aposentar. Vou continuar trabalhando enquanto tiver forças. Os políticos roubam tanto dinheiro, mas eu quero ver eles comprarem a morte depois de tanta ganância. Eu tenho a minha consciência tranquila. Você tem?”.

O José pode ser encontrado nesta esquina de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h.

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