Claudio Correa Junior tem 27 anos e mora há alguns meses na Austrália. Em São Paulo, ele trabalhava como supervisor de marketing e desenvolvimento. Aí, resolveu viajar para o exterior para aprender melhor a língua inglesa.

Numa postagem no seu Facebook, ele resolveu contar um pouco sobre a sua experiência fora do Brasil.

“O maior faxineiro internacional que você respeita. #GiseleBundchenFellings “If I will clean my apartment you will be able to eat on the floor”.

Quando eu estava no Brasil, ganhei prêmios e reconhecimento na minha profissão. Mesmo com aquela roupa social que eu não gostava e escritórios com ar-condicionado. Aqui, numa realidade de oportunidades diferentes, continuo com a mesma ideia na cabeça. Se eu for limpar ou servir algo, vai ser da melhor forma possível. Se houver Prêmio Candida 2017, lá estarei eu no pódio. Isso não apenas por que gosto de dar o meu melhor, mas porque TODO SERVIÇO É IMPORTANTE. E necessário.

Aprendi TANTO. Não apenas em questões técnicas, como em questões humanas. O ser-humano em comunidade. Sei como limpar vidros, carpetes e o tipo de produto ideal para cada situação. Mas também aprendi como o ser-humano pode muitas vezes, não respeitar o espaço público ou não dar a mínima para o próximo. Já vi cada coisa!

Como garçom não apenas aprendi como combinar diversos tipos de vinhos e carnes. Desde Sauvignon Blanc a Shiraz. Sei exatamente qual a melhor pedida. Aprendi a cozinhar e utilizar a culinária turca, marroquina e grega. Aprendi o ponto de cordeiro e peru. Aprendi a TRATAR GENTE BEM. Aprendi a ouvir ainda mais. É outra língua. Nem parece inglês com esse sotaque.

“Uma Pena começar em outro país com subemprego” dizem. “Subemprego” é uma palavra tão feia. Aqui o salário mínimo é $22.17 a hora. Faça as contas. Tira essa ideia de “subemprego” da cabeça. Primeiro, por que é idiota. Segundo, porque qualquer emprego no setor de serviços não é apenas necessário, mas essencial. Terceiro, se você não valoriza, como quer que o seu país valorize!?

Fiz um freelance de design para um restaurante aqui é decidi não cobrar. Sabe aquela de “ganhar o cliente e ele fazer um boca-a-boca” bem comum no Brasil?! Pois é! Quando disse pro proprietário que eu não cobraria, ele ficou extremamente ofendido. Disse que pagaria pelo serviço pois gastei tempo naquilo e QUALQUER serviço é importante. E o boca-boca é consequencia de um trabalho bem feito. É respeito pelo próximo.

Empatia a gente ganha quando se abre pro mundo. Quando vivencia. Quando percebe que o mundo é um caleidoscópio de diversidade, e que a sua opinião política, religiosa ou moral é só mais um processo individual dentro de outros 7 bilhões. Tão certo quanto errado. Tão errado quanto certo.

Trate de ir agora dar um sorriso enorme de Bom Dia/Tarde pra “Tia da Limpeza”.

Se eu vou trabalhar com isso pra sempre?
Bom, a resposta é:
Eu estou MUITO feliz agora. E você!?”.

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