Em quase todas as grandes metrópoles, as vezes o galo ainda nem cantou e você já está de pé prensado dentro do busão, trem ou metrô (pagando quase 4 reais e se perguntando cadê o open bar de Aperol, gin, whisky e catuaba). Não importa o quanto acorde cedo, você sempre estará atrasado para fazer alguma coisa. Não tá fácil nem pra quem se locomove de carro particular ou Uber, pois mesmo rezando, nem o Santo Waze consegue fazer milagres. Uma vez o app quase me mandou “cortar caminho” pela Marginal Pinheiros. Deusôlivre!

Um dia tem apenas 24h, mas tem banco que faz publicidade dizendo que te atende por 30 horas, afinal, tempo é dinheiro.

Como todo mudo sabe, 1 minuto é um tempo muito precioso. Aí, imagine que você está caminhando ouvindo música com o fone de ouvido, ou falando no celular, ou atrasado, ou segurando um guarda-chuva, ou embaixo da chuva ou simplesmente andando tentando se deslocar do ponto A até o ponto B entre as ruas. Eis que surge na sua frente alguém propondo que você faça uma doação, responda uma pesquisa, assine uma petição ou algo do tipo. Parece um pouco invasivo?

Tente contabilizar quantas e quantas frases do tipo “Agora eu não posso”, “Não, não. Obrigado!”, “To ocupado”, “A gente já se falou ontem, lembra?” são pronunciadas diariamente para quem tenta abordar os apressados que caminham pela avenida Paulista, estações de trem ou metrô e demais localidades com grande circulação de pessoas.

Em um dia qualquer, andando na frente do Parque Trianon, antes mesmo que eu pudesse desviar de um grupo de pessoas vestidas com os coletes do Greenpeace, um rapaz brotou na minha frente (talvez com a força de uma árvore que acabara de receber uma doação):

– Opa, posso falar 1 minutinho com você?
– Poxa, to super atrasado.
– Você já conhece o trabalho do Greenpeace?
– Hum, já li pela internet. Inclusive, posso fazer uma doação por lá, não?
– Ah, até pode. Mas me ajuda aqui com as metas, vai.

Opa, metas? Sim, metas, valores, vendas. Quem te aborda pedindo este tipo de contribuição nas ruas, em sua maioria, são profissionais treinados pra te convencer a fazer doações financeiras à partir de um storytelling altamente emotivo. Animais em extinção, florestas devastadas, crianças que sofreram abusos, pessoas em situação de miséria e, infelizmente, muitas outras tristes histórias que acometem o mundo. Estes profissionais são chamados de “captadores de doadores” e a abordagem na rua é denominada face-to-face, ou, cara a cara (livremente traduzido do inglês). Ao invés de você procurar um produto ou serviço, ele é que é oferecido diretamente pra você. Em teoria, não há público-alvo e toda pessoa/consumidor é considerada um possível doador.

Uma pesquisa divulgada recentemente pela consultoria internacional RGarber revelou que o brasileiro doa, em média, U$ 5,2 bilhões para Organizações Não Governamentais (ONGs). E parece que quando elas são estrangeiras, a credibilidade aumenta na hora da decisão de doar ou não. Segundo uma reportagem publicada no UOL, “Se comparado aos métodos tradicionais, como a arrecadação pela internet, a mala direta e anúncios publicitários, o face-to-face traz uma taxa mais alta de retenção de doadores”, avalia Filipe Páscoa, diretor de mobilização de recursos e comunicação da ONG Aldeias Infantis no Brasil.

Mas como será que cada equipe de rua aborda as pessoas? Que tipo de treinamento elas recebem? Como é estar no lugar de quem pede 1 minuto da sua atenção? Pra fazer um aquecimento de abordagem, comecei num lugar que não pedia contribuição financeira, mas sim, apenas uma simples assinatura.

FIESP – Manifesto “Não Vou Pagar o Pato”

Breve história encontrada no site: “Toda vez que precisa cobrir seus gastos, em vez de cortar despesas, o governo acha mais fácil passar a conta adiante. Adivinha para quem sobra? Isso mesmo: para as empresas e os trabalhadores, que já vêm sofrendo com o aumento da inflação, dos juros, da taxa de câmbio e das tarifas de energia”. 

1- Abordagem de uma captadora de assinaturas da FIESP:

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Passando na frente do prédio da FIESP, com um enorme pato inflável amarelo em destaque, me deixei ser abordado pela Daniela Oliveira.

– Olá. Você já assinou a petição contra a corrupção?
– Ainda não. Como funciona?
– É só assinar aqui e preencher o nome, e-mail e CPF (me mostrando um papel com outras assinaturas).
– Mas pra que serve esta petição? Como ela será usada?
– Você pode acessar o site da campanha pra ter mais informações. Mas, basicamente, é um manifesto contra a corrupção no Brasil e o aumento excessivo dos impostos. A campanha também é contra a volta do CPMF, um imposto que já estava extinto e agora o governo quer voltar a cobrá-lo. Se chegarmos à 1 milhão de assinaturas, vamos enviar este manifesto pro congresso para mostrar que existe uma insatisfação popular. (sim, a meta foi atingida antes do fechamento desta matéria e superou um milhão)

2- Expliquei que sou repórter e perguntei como é o dia-a-dia da equipe:

“Somos de uma agência de eventos, a FIESP é quem nos contratou. A gente recebeu um treinamento e depois já passamos a abordar as pessoas aqui na frente da sede. O trabalho é das 10h até às 19h. To curtindo porque é fácil, todo mundo para pra assinar. E quando tem brindes, é melhor ainda. A galera curte ganhar um chaveiro ou algo do tipo”.

Perguntei se eu poderia ficar abordando as pessoas e sentir como elas reagem. O meu pedido foi encaminhado pra um supervisor, que subiu comigo até a sala da assessoria de imprensa da FIESP. Após eu explicar a pauta, fui liberado e ganhei um colete amarelo para que começasse o meu novo trabalho.

3- Eu pedindo 1 minuto da atenção da galera:

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A abordagem, realmente, era fácil e quase todo mundo parava pra assinar. Quando as pessoas percebiam que não se tratava de uma doação financeira, elas até sorriam. Assinar o manifesto contra a corrupção, ao lado do gigante pato amarelo inflável, se tornou praticamente um entretenimento à céu aberto na avenida Paulista. O apelo do “Manifesto contra a corrupção e contra o aumento dos impostos” é forte e convenceu grande parte da galera que abordei. Em menos de 30 minutos, consegui dezenas de assinaturas.

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Para uma das pessoas que estava assinando, eu perguntei:

– Você acredita mesmo que um manifesto tão abrangente como este, “contra a corrupção no Brasil”, pode surtir algum efeito?
– Ah, to aqui assinando e fazendo a minha parte. Se vai funcionar, eu não sei.
– Quais práticas você acredita que podem ajudar no combate à corrupção?
– Ai, não sei, to com pressa. Mas já assinei. Tchau.

UNICEF- Fundo das Nações Unidas para a Infância dedicado às crianças carentes e em situação de miséria

Breve história encontrada no site: “Presente em mais de 191 países, está no Brasil desde 1950. Esta instituição se dedica exclusivamente às crianças. Ela teve início após a segunda guerra mundial, na Europa, mas depois se espalhou pelo mundo todo, principalmente pela fome, desnutrição e crianças afetadas pela AIDS nos casos em que a mãe transmite o vírus para o bebê”.

1- Abordagem de um captador de doação da UNICEF:

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Depois, na frente do Conjunto Nacional, me deixei ser abordado pelo Jonathan Ferreira
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– Opa, meu amigo. Posso falar com você um minutinho? (apertando a minha mão num movimento tão ágil quanto um peão laçando um boi ou cavalo)
– Pode sim. – respondi me sentindo com a corda em volta do pescoço. Confesso que se não fosse pela matéria, eu teria me jogado no chão dando cambalhotas até conseguir fugir.
– Você já pensou em apadrinhar uma criança em condição de miséria ou outro tipo de necessidade?
– Mas como eu faço isso?
– Você pode colaborar doando direto do seu cartão de crédito. A gente preenche um cadastro aqui mesmo, rapidinho, e faz o parcelamento da doação. O valor mínimo é de R$ 30,00 por mês. Quantas parcelas eu posso passar no seu cartão?
– Calma, espera um pouco. Antes eu quero saber mais. Por quanto tempo eu faço esta doação? Digo, é tipo um carnê?
– Quanto tempo você acha que uma criança carente ou em condições de miséria merece receber a sua contribuição?
– Se dependesse de mim, pra sempre. Na real, se dependesse de mim…
– A doação vai pra uma criança que mora perto de você. A gente usa o CEP da sua residência pra que você possa ajudar quem está mais próximo da sua moradia. E se a família da criança concordar, você poder ir visitá-la e acompanhar toda a sua trajetória. A sua doação pode fazer uma diferença imensa na vida de uma criança.
Com a cabeça rodando, cheia de informações e emoções, quase autorizei uma doação vitalícia.

2- Expliquei que sou repórter e perguntei como é o dia-a-dia da equipe:

“Nós fazemos muitos cursos e treinamentos. A gente acaba aprendendo a não se apegar aos nãos que escutamos. Ao invés disso, valorizamos os sins. E nada é pessoal também. Se alguém que a gente aborda na rua é grosseiro ou mal educado, temos que relevar. Tem que ter bom humor, né! Eu gosto de trabalhar com isso. No fundo, sei que acabo contribuindo pra ajudar muitas crianças. As mulheres e pessoas idosas costumam ser mais emotivas e sensíveis, então, é mais fácil de abordar e conseguir fechar uma contribuição. Já os homens são mais difíceis, a gente tem que falar rápido, ser mais objetivo e tentar fechar logo de cara a doação”.

3- Perguntei para o Jonathan se eu poderia abordar as pessoas para tentar conseguir doações.

“De forma alguma! Sem treinamento e sem autorização da UNICEF eu não posso permitir isso. E não adianta insistir!”.

E não adiantou mesmo, o Jonathan realmente não deixou! Mesmo assim, fiquei quase 30 minutos ao lado dele e da sua equipe observando a maneira como eles abordavam as pessoas e as reações de quem passava. Por mais que a maioria tentasse de tudo pra não ser abordada, um ou outro sempre acabava parando.

Em poucos minutos pude constatar que a galera mais humilde era mais atenciosa e acabava contribuindo nos primeiros minutos de papo com os captadores de doações (este termo é péssimo). Quanto mais a pessoa aparentasse ter boas condições financeiras, mais indiferente a abordagem ela era, reforçando um estereótipo que eu preferia não acreditar. Uma das respostas mais inusitadas foi a de um senhor engravatado:

– “Por que vocês não param de pedir esmolas e vão trabalhar de verdade? Se a UNICEF realmente repassasse toda a verba que ganha em doações, não existira mais miséria do mundo”.

 

Turma do Bem – Dentistas do Bem

Breve história encontrada no site:Dentista do Bem é o principal projeto da Turma do Bem e conta com o trabalho voluntário de cirurgiões-dentistas. Eles atendem em seus próprios consultórios crianças e jovens de baixa renda entre 11 e 17 anos, proporcionando-lhes tratamento odontológico gratuito até que completem 18 anos. Atualmente, é a maior rede de voluntariado especializado do mundo.

1- Me deixei ser abordado pela Natália Farci na frente do Palacete Franco de Melo, o futuro Museu da Diversidade que ficará localizado na avenida Paulista. Percebi que os outros “atendentes” estavam ocupados e foi meio que natural caminhar em direção à ela.

– Olá, você tem 1 minutinho, por favor?
– Tenho sim.
– O que você acha de fazer uma adoção para ajudar alguém a voltar a sorrir? Já imaginou poder contribuir para o sorriso de uma criança ou mulher que tenha sofrido algum abuso ou violência física?
– Sim, parece interessante. Como eu faço isso?
– Você tem cartão de crédito? Caso tenha, o valor mínimo para doação é de apenas 40 centavos por dia. Ou seja, R$ 12,00 ao mês, numa período de dez meses, tudo parcelado no seu cartão. Por este valor, uma criança ou mulher podem receber um tratamento dental completo oferecido por um dos nossos dentistas solidários. E eles não cobram nada por isso, pois oferecem o trabalho deles solidariamente.
– Poxa, mas em 10 vezes no cartão? Parece muito tempo.
– Mas pense no sorriso que esta criança vai ganhar. E se você quiser conhecê-la, isso é possível. Deste que a família dela permita, é claro.
– Sim, eu sei. Pelo meu CEP vocês localizam a criança carente amis próxima de mim, certo?
– Como você sabe?

2- Expliquei que sou repórter e perguntei como é o dia-a-dia da equipe:

“A gente recebe treinamento adequado para saber falar sobre a ONG e como ela age na sociedade ajudando as milhares de pessoas que já tiveram o seu sorriso de volta. Esta aqui é a minha equipe, eu sou a supervisora. Quando todos estão ocupados, eu abordo as pessoas também. Eu incentivo pra que ninguém seja insistente na hora de abordar. Se perceber que não vai rolar a doação, tem que pular pra outro e não insistir. As mulheres costumam doar mais do que os homens, pois elas são mais sensíveis”.

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Neste momento um rapaz tentou passar o seu cartão, mas não deu certo. Não entendi se a máquina estava sem sinal ou se era algum outro problema técnico. Ele foi embora chateado, dizendo que iria tentar sacar o dinheiro em algum banco. Esta foi a deixa pra que eu dar o próximo passo.

3- Perguntei para a supervisora Natália Farci se eu poderia abordar as pessoas para tentar conseguir doações.

Ela concordou e fez um treinamento rápido comigo para que eu memorizasse algumas das principais informações sobre a ONG e como incentivar as pessoas para que elas fizessem doações. “Vou estar aqui do seu ladinho. Se tiver qualquer dúvida depois de abordar alguém, me avisa e te ajudo na hora do atendimento”.

Vestindo a camisa, agora como um captador de doadores da Turma do Bem, comecei a tremer de nervosismo tentar abordar as pessoas que caminhavam apressadas pela avenida Paulista.

Logo de cara, percebi que vários dos truques que eu utilizava pra não ser abordado, agora estavam sendo usados contra mim:

Ninguém fazia contato visual comigo. A galera olhava pra frente, pra rua, pro céu, pra pomba da calçada, pro escapamento barulhento do busão, pra garupa da moto, pro cachorro abanando o rabo, mas não olhavam pra mim.
Todos fechavam a cara quando eu tentava me aproximar, mas to falando num nível hard, tipo carranca mesmo. Alguns chegavam a bufar ou me olhar como se eu estivesse tentando passar a mão na bunda deles.
– Era só eu dizer “Oi” e ouvia de volta: “Agora eu não posso”, “to ocupado”, “saia da minha frente”. Sim, as pessoas pediam pra que eu saísse da frente delas e algumas chegavam a trombar e mim. Eu, sinceramente, não as culpava, pois elas só esbarravam em mim quando eu me colocava na frente do caminho delas.

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Percebi que eu teria que mudar de tática caso quisesse, ao menos, conseguir 1 minuto da atenção de alguém. Num estilo meio Silvio Santos, ou animador de palco, percebi que os outros captadores de doações incorporavam um personagem na hora da abordagem. Havia sempre um sorriso largo no rosto, um andar que simulava uma dancinha e a voz num timbre que oscilava entre um radialista e um feirante ao anunciar as promoções da feira.

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E foi exatamente o que eu fiz! Ao invés de entrar na frente das pessoas, eu quase pulava em cima delas. O lance do “Nossa, esse cara brotou na minha frente e nem sei de onde ele apareceu” estava sendo colocado em prática. O tom de voz mais alto e brincalhão, competindo com todo o barulho da avenida, fez com que eu passasse a ser ouvido. Pelo menos, eu estava beirando os berros para disputar com os fones de ouvidos, celulares e conversas paralelas da rua. O foco era a doação. Quem não estivesse a fim de doar, que saísse já da minha avenida e me deixasse trabalhar em paz… MEU DEUS, quando percebi que eu estava agindo assim, fiquei assustado.

E agora, por favor, vou ter que escrever um parágrafo apenas sobre isso. Sabe o lande de “mulheres e senhores de idade são mais sensíveis, acabam te ouvindo e até contribuindo?”. Gente, não é bem assim não. Pelo que percebi, as pessoas idosas e a maioria das mulheres são mais sensíveis fisicamente mesmo. Entrar na frente do caminho deles era mais fácil, porém, qualquer juiz de futebol bem intencionado daria um cartão amarelo, quiçá, até vermelho para os nossos amiguinhos captadores de doações. Invadir a vida/privacidade de alguém assim não é bacana não.

Enfim, não consegui nenhuma doação durante o tempo que fiquei abordando as pessoas nas ruas. Acredito que muitos se sentem sensibilizados e acabam doando, porém, não sei realmente se o face-to-face é a maneira mais adequada de angariar doações. Este tipo de marketing agressivo nas ruas, onde o target é o mais plural possível, me parece uma metralhadora que atira até acertar em alguém. Entre mortos e feridos, o resultado é constrangedor, tanto pra quem aborda como pra quem é abordado.

Um dos captadores, que pediu pra não ser identificado por motivos óbvios, bateu um papo comigo e autorizou a divulgação desta conversa:

– Você curte trabalhar como captador de doações?
– Cara, sinceramente, não! Eu preferiria ter outro emprego, mas a situação está difícil. Sou formado em comunicação, mas não consegui emprego nesta área. O dia-a-dia aqui é estressante, as pessoas não aguentam trabalhar com isso por muito tempo. A gente fica em pé o dia todo, as pessoas não são muito receptivas com o nosso tipo de abordagem…
– Vocês tem metas de vendas?
– Nós não chamamos de metas de vendas. Mas você já viu um negócio que visa o lucro não ter metas? Somos cobrados quanto a isso. E a pressão é grande. Quando você publicar a sua matéria, provavelmente, eu não vou mais estar aqui. Me deseja boa sorte, vai!
– Boa sorte.

Ah, lembram do cara que o cartão não havia passado? Ele voltou, depois de ter sacado a grana, e fez a sua contribuição.

Fotos: Marlon Moro.

 

3 Responses to Passei Um Dia Pedindo 1 Minuto da Sua Atenção

  1. Jade disse:

    Sou captadora de recursos (ou defensora de causa) e faço isso para uma ONG. O que acontece é que realmente as pessoas não tem tempo nem compaixão, principalmente no Brasil, com o próximo. Não defendo outros países e nem pago pau pros estrangeiros, mas acho que o meu trabalho tenta implantar no nosso país a cultura da doação. Em contrapartida, existem hoje no mundo cada vez mais empresas de Fundraising, e por isso, cada vez mais captadores “invadindo seu espaço e sua privacidade”, e exatamente nesse ponto se encontra a diferença entre empresas e empresas de fundraising. Algumas pagam a seus captadores uma comissão “por doação fechada”, e naturalmente esses captadores são donos de uma abordagem mais agressiva, pois não estão ali somente pela causa, mas por algo além de seu salário (mas isso também não é uma regra). Nesse meio tempo seres humanos que também sabem como é caminhar pela Avenida Paulista, decidiram abrir uma empresa de Fundraising com metas (sim!) pois prestam serviços à ONGs e dependem de contratos, e por isso precisam de metas, mas que não pagam nenhum tipo de comissão à seus Defensores de Causa (o nome correto e mais apropriado), e passam meses em um escritório desenvolvendo treinamentos não agressivos e trabalhando com desenvolvimento de pessoas para que a imagem dos defensores de causa que estão nas ruas debaixo de sol e de chuva defendendo algo em que acreditam, não seja deturpada e que se recupere a essência de um trabalho digno e de importância para a continuidade do trabalho de tantas ONGs e Instituições no mundo todo.

    • Boris disse:

      Sem coração é o bando de “captadores” cair em cima dos transeuntes como uma matilha de lobos em cima de um naco de carniça. Sério, fácil é falar, difícil é sentir. Eu acredito no GRAAC. Eu acredito na AACD. Eu acredito no Hospital Pérola Byington. E procuro ajudar essas instituições de qualquer maneira, mesmo não tendo muito, pois meu salário é pior ou igual ao de um “captador”. A UNICEF não contava com o Renato Aragão? Aquele embaixador de merda? Ele que busque pão do céu para as tais crianças que são supostamente ajudadas pela UNICEF.

  2. Pamela Reis disse:

    Nossa! eu fiquei chocada com a matéria. achei fascinante!!!! muitos não entendem tal trabalho.(captadores de doação) ou (captadores de recursos) pra ser mais exata.
    diversas ONGs fazem grandes trabalhos. não tem como a fome no mundo acabar com tanta injustiça e desigualdade. todos temos que colaborar, cada um de sua forma mais nobre e exata. aqueles que mai tem, são os mais se negam a ajudar. felizmente ainda existe pessoas boas no mundo! 66% das doações de ONGs são e doadores anônimos. quando achei essa matéria fiquei imensamente chocada como o ser humano é tão miserável. ficar feliz por não ser abordado pra pedir doação. isso não tem justificativa. quando é para doar algo ao próximo, o mundo se esconde. sobram poucos que se esforçam de verdade por tal causa. agradeço a você por me proporcionar essa leitura. adorei a matéria!!!1 Parabéns!

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