Se a nossa Miss Martha Rocha só perdeu o título de Miss Universo em 1954 por causa de duas polegadas a mais nos quadris, o que um homem nos dias de hoje teria que fazer para ser um Mister?

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A mudança no comportamento do homem em relação à beleza vem mudando há um bom tempo. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal e Perfumaria (Abihpec), quando o assunto é beleza masculina, o Brasil só perde para os Estados Unidos. Segundo o Dr. Denner de Castro, médico dermatologista estético, “Há 10 anos o público masculino representava 5% dos meus pacientes. Atualmente, os homens representam 30%. Os procedimentos mais procurados são toxina botulínica, preenchimentos com ácido hialurônico e laser para depilação definitiva”.

Eu, que já trabalhei como modelo no passado incentivado pela minha mãe “Filho, você é lindo”, resolvi aceitar um convite para participar de um concurso de Mister. Achei que a experiência poderia render uma boa aventura, como a Sandra Bullock no seu filme ao se infiltrar numa missão secreta, sabe? Bom, é quase isso!

Mas o que é um Mister? O que ele faz? O que ele precisa ter ou representar? Quanto ele ganha? Tem plano de saúde ou vale transporte? Existe um Edital de como ser mister? Sim! E o legal é que existe mesmo.

O Mister é uma figura pública que representa uma cidade/localidade por sua beleza, carisma e elegância. Mas assim como a Cinderela, a mágica tem hora pra acabar. A validade do título é de um ano e no seguinte você passa sua (abóbora) faixa para outro ganhador. Entre as atividades, estão participações em eventos culturais, viagens, ­­­divulgação dos patrocinadores, desfiles e até projetos de cunho solidário ou social. Esta é a teoria. Agora, pra saber na prática o que um concorrente a Mister faz, eu embarquei de cabeça nesta aventura.

Após a primeira reunião com um dos organizadores, fui aconselhado a fazer algumas mudanças ou recauchutagens. A ideia seria potencializar os meus atributos e minimizar os não atributos. Ou seja, uma especie de extreme makeover.

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Com a ajuda de profissionais especializados, como personal trainer e nutricionista, desenvolvemos a seguinte tortura rotina:

– Alimentação, com intervalos de 3 em 3 horas, rica em proteína e pouquíssimo carboidrato.
– Zero açúcar; fuja do sal. O primeiro engorda, o segundo retém líquido.
– Corridas e muitos exercícios aeróbicos, além de muita malhação. Tem que secar as gordurinhas e fortalecer os músculos.
– Cabelo hidratado e barba sempre aparada. Pelos do corpo também.
– Dentes brancos e alinhados. Mas por ajuda do destino, o meu da frente quebrou no dia do concurso e só consegui arrumar 30 minutos antes de subir na passarela.
– E o bronze?  Recorri ao jet bronze, uma técnica de bronzeamento corporal que te deixa com um tom alaranjado. Dá uma olhada na foto abaixo:

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Segundo a psicóloga Filipa Jardim Silva, Estamos todos mais obcecados com a nossa aparência do que gostaríamos de admitir”. Talvez, isso explique um pouco do crescimento no mercado de beleza, afinal, hoje é muito comum encontrarmos propagandas de procedimentos/tratamentos estéticos em sites de compras coletivas, como Peixe Urbano, Groupon, etc.

Mas vamos lá! Um grupo de whatsapp foi criado entre todos os participantes. É claro que a gente fica abrindo as fotos de todos para avaliar quem são os adversários. Isso até o dia do primeiro ensaio, né? Ensaio? Sim, tem ensaio. Fiz uma foto:

 

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Os ensaios envolvem atividades simples, como desfilar sozinho, desfilar em grupo,  fazer as paradas necessárias na passarela (sem atropelar o coleguinha) e até a responder algumas das possíveis perguntas que os jurados possam fazer. Sim, já li o livro “O Pequeno Príncipe” e adorei. Sério!

No dia do evento, 26 candidatos estavam no camarim. O primeiro traje para subirmos na passarela era calça jeans e coturno. Não, não tinha camiseta. Apenas calça jeans e coturno. Uma roupa normal que todo mundo usa de manhã pra trabalhar. Entre os candidatos, alguns malhavam, outros passavam óleo no abdômen e peitoral… vi um deles tomando calmante (inclusive, me ofereceu um) e teve até um mais animado tomou êxtase. E nem me ofereceu um pedaço.

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A segunda entrada na passarela era com o traje de sunga. Nunca pensei em chamar sunga de traje. Notei que alguns candidatos estavam pouco confortáveis. Aliás, o que tinha tomado êxtase tava ótimo. Um deles, segundos antes de subir na passarela, ficou se alisando (no lugar que você tá imaginando) e não sei qual foi a reação do público. No camarim, pelo menos, ninguém pareceu se importar.

O terceiro e último traje foi um smoking preto. Eu suava mais do que paleta mexicana em dia de sol. Após o desfile com o tal traje de gala, foram classificados apenas cinco candidatos. Opa, e eu estava entre eles. Na hora do interrogatório das perguntas, a apresentadora do concurso veio na minha direção com uma caixa cheia de papéis dobrados. Eu peguei um deles, ela sorriu e leu:

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Candidato de número 17.  Qual o nome de uma música que poderia representar o Brasil atual? E por quê?

Respondi que era BANG!, da Anitta. Mentira. Respondi que era Brasil, Mostra a Sua Cara. Eu vou ser bem sincero! Não lembro exatamente com quais palavras respondi, mas aqui vai uma lista dos motivos que falei:

– A letra é do Cazuza.
– A música fala sobre política e 2015 foi um ano recorde de protestos aqui no Brasil. Algo que eu considero bom. Sinal que estamos lutando mais à favor dos nossos direitos.
– “Mostra a sua cara”. Isso serve pra todo mundo. Não temos que ter medo de nos arriscarmos.

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Aprendi que o caminho pode ser mais interessante do que o local de chegada. Vou confessar que adorei esta experiência, teria feito tudo de novo. Aliás, eu não ganhei o primeiro lugar. Fiquei em segundo. E desta vez não teve apresentador voltando atrás no resultado 😉

 

 

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