Almir Ezaldino da Silva, 56 anos, é o nome que aparece no documento de identidade. Ele prefere ser chamado de Zé, mas a maior parte das pessoas o chama de Zé das Medalhas.

“Me colocaram este apelido por causa do personagem da novela Roque Santeiro. Eu coleciono jóias e bijuterias há mais de 30 anos. Comecei com um anel pequenininho e quando vi já tava todo desse jeito”.

 

 

Zé tem 12 irmãos, trabalha como garçom no mesmo bar há 16 anos e nasceu na cidade de Penápolis, no interior de São Paulo. “Eu sou caipira”, diz com uma fala tranquila enquanto dá risada.

 

 

“Eu vim pra São Paulo trabalhar e acabei ficando. Eu gosto de lidar com o público, conhecer gente, novas histórias e por aí vai. Geralmente eu trabalho na parte da noite, que é o meu horário preferido. Aqui costuma ter muita gente gay, GLS ou LGBT. Acho que é esse o nome certo, né? Muda toda hora. Enfim, é o meu público favorito”.

 

 

“Não gosto de generalizar, mas o público hétero bebe e acaba arranjando briga. Parece que não sabem se divertir sem ficar agressivo. Os gays são mais alegres, se divertem e respeitam todo mundo. Se algum te paquerar e você for hétero, é só falar que não gosta e pronto. Mas tem gente que é homofóbica e pensa que precisa bater, né? Tem tanta coisa errada nesse comportamento violento que eu nem sei o que te dizer”.

 

A PAIXÃO PELAS JÓIAS

 

 

Zé começou a sua sua coleção inspirado pela dupla sertaneja Milionário e José Rico. “Não chego a ser fã de carteirinha, mas sou fã”.

A maior parte das jóias foram feitas sob encomenda. “Eu mando fazer num rapaz aqui da rua Augusta, ele chama Liseu. Ou eu compro numa loja do centro de São Paulo. Só esta caveira aqui (foto acima) que eu ganhei do estilista Alexandre Herchcovitch”.

“Aqui tem de tudo misturado, jóias e bijuteira. Eu não falo quanto eu já gastei em dinheiro, este tipo de coisa a gente não comenta. né! Até uns anos atrás eu dormia usando tudo isso, não tirava nem pra tomar banho. O único momento que eu tirava era pra limpar e polir. Hoje em dia eu só tiro pra tomar banho as correntes. Os anéis e as pulseiras eu durmo e faço de tudo”.

 

 

“Você tem que respeitar todo mundo, cada pessoa tem o direito de ser e fazer o que quiser, desde que não prejudique ninguém. Sou um cara feliz, não tenho preconceitos! Quem se importa em cuidar da vida do outro não tá bem com ninguém, nem com ele mesmo”.

O Zé das Medalhas, ou o Zé, pediu pra dizer que ele tem cara de bravo, mas não é não. Vai lá bater um papo com ele também.

 

 

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